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Limites do Design

quinta-feira, 23 out

Gentem, jabá! Mas não é só isso tá, essa dica de livro é suuuper importante pra quem, como eu, se interessa pelo estudo do design.

O livro do designer Dijon de Moraes, Limites do Design: 3ª Edição Revista e Ampliada acabou de sair do forno e é, sem dúvida, uma importante contribuição à escassa bibliografia sobre design produzida no Brasil

O livro, resumidamente, compõe-se de três partes: A primeira traz uma retrospectiva histórica do desenvolvimento da indústria e do design. Na segunda parte discute-se a polêmica questão design do centro x design da periferia, principal preocupação do autor.

Já a terceira parte é dedicada ao ensino do design no Brail, na qual Dijon de Moraes sugere um modelo de ensino a ser adotado nos países de Terceiro Mundo. É nessa terceira parte que Dijon apresenta alguns trabalhos selecionados durante os anos de ensino do design no Brasil no qual ele orientou projetos variados. Dentre esses projetos está o meu (!) projeto de graduação (que bonitinho!), apresentado no final de 2005.

O projeto tinha como tema as festividades nordestinas e como essas referências poderiam ser aplicadas em acessórios de moda, como bolsa, sapato e carteira.


Meu trabalho publicado no livro

Acho que a partir desse projeto, comecei a explicitar meu interesse em fabricar bolsas e acessórios. Talvez esse tenha sido o comecinho da Ibô, ou a idéia inicial de ter um atelier de criação. Ah, e detalhe: a Fê esteve presente em vários momentos desse trabalho, na produção das fotos, na montagem das apresentações, ou seja…o início da nossa historinha né? Historinha que promete ter muita coisa pra contar.

Pra ter já!
Limites do Design, 3ª edição.
Dijon de Moraes
Studio Nobel, São Paulo, 2008

tudojuntoaomesmotempoagora!

sexta-feira, 08 ago

Ontem estive em mais uma palestra, desta vez na Casa Fiat de Cultura. Fui ver dois super nomes: Adélia Borges (sou fã!) e o José Alberto Nemer (tb!). O tema do “Sempre um Papo” foi a quebra de paradigmas entre a arte e o design, discussão muito em voga e muito importante pra mim neste momento (é, de alguma forma, o que escrevo na minha dissertação de mestrado, que, rezem, acabo este ano!).

Nemer falou um pouco da origem do fazer artístico, de onde vem o impulso do homem para a criação. Voltou láaaa nos nossos antepassados, na idade da pedra mesmo! Confesso que fui com uma expectativa e fiquei um pouco frustrada, mas enfim.
Já Adélia falou sobre a insistência dos designers de afirmarem a autonomia da profissão, fixando a funcionalidade como característica determinante dos projetos e se afastando um pouco da arte, mas por outro lado demonstrou que o design é, e deve se tornar ainda mais multidisciplinar e descreveu o trabalho de diversos artistas/designers dos nossos tempos. Uma discussão que, devido ao curto tempo, não rendeu um debate mais aprofundado quanto eu gostaria. Adoro a Adélia e queria ouvir muuuito mais do que ela tem a dizer. Talvez em outra oportunidade!

Essa palestra fez parte de um ciclo que a Casa Fiat de Cultura apresenta durante todo o ano cujo tema, “Artes Plásticas e Comunicação na Contemporaneidade”, tem o objetivo de alinhavar a relação entre as artes plásticas e a forma com a qual elas se comunicam na contemporaneidade.
Especialistas discutem as relações da arte com diversas outras áreas, como gastronomia, espaços urbanos, design, moda, mídia, poesia, novos museus, música, tecnologia – o ciclo já começou e vai até o dia 04 de dezembro.

A programação completa você encontra aqui.

Aproveitando que já estava por lá, fui ver também a exposição “Com que roupa eu vou” que, embalada pelo refrão da música de Noel Rosa, mostra vários grupos sociais de cada época e como, através das roupas, esses grupos reforçam significados tradicionais que as roupas já adquiriram e criam outros, novos, típicos de seu tempo.

Afinal, a roupa não nos serve apenas para cobrir o corpo. Como diz sempre minha querida mestra multidisciplinar Káthia Castilho (tem textinho dela na L´Officiel de agosto, sobre corpo e a ditadura da aparência, compra lá!): roupa é também comunicação.

FIQUE DE OLHO!
Com que Roupa Eu Vou na Casa Fiat de Cultura
De 30 de Julho a 5 de Outubro

Sempre um Papo na Casa Fiat de Cultura
De 09 de Abril a 04 de Dezembro
Entrada gratuita para ambos os eventos

Moda “flexível”

terça-feira, 08 jul

Flexibility - design in a fast changing society ( algo como “flexibilidade - design em uma sociedade de rápidas mudanças) é um dos muitos eventos que se realizam em Turim neste ano. A exposição é composta por nove projetos de designers internacionais e está instalada em uma antiga prisão.

Um trabalho que me chamou a atenção e eu queria dividir aqui é o VESTUÁRIO RENOVÁVEL de Fernando Brízio.
São vestidos com vários bolsos onde se colocam canetas coloridas e com isso a aparência do vestido muda com o tempo.
Isso acontece dentro de uma hora, quando a tinta da caneta “mancha” o tecido, criando um design único, de acordo com sua vontade e criatividade.

O mais legal é que ao lavar o vestido saem as manchas, podendo recomeçar o processo várias vezes e assim ter sempre uma nova forma, um novo look.

Sobre o trabalho, Fernando disse: “o tema da exposição - flexibilidade - me deu a chance de rever uma dessas idéias que ainda estava por resolver. Me permitiu criar objetos que, tal como um programa, podem ser modificados, apagados e reiniciado várias vezes. ”

Assista também um vídeo de demonstração aqui.

O Luxo, Dorfles e Saint Laurent

sexta-feira, 06 jun

Contardo Calligaris, psicanalista e colunista da folha de São Paulo publicou um texto bem bacana hoje intitulado O Luxo, Dorfles e Saint Laurent, que resolvi postar na íntegra aqui. Vale a leitura!

BASTA TRANSITAR por saguões de hotéis e salas de espera de aeroportos para descobrir que, pelo mundo afora, proliferam publicações suntuosas (papel glacê e quadricromia), cujo tema é o luxo. Nessas revistas, as matérias, em geral, exaltam a vida prazerosa de quem consome os objetos propostos nos anúncios.

Dana Thomas, em “Deluxe - Como o Luxo Perdeu o Brilho” (Campus), conta como, em poucas décadas, fabricantes artesanais de produtos quase únicos (e por isso caríssimos) se transformaram em marcas que devem boa parte de seu faturamento a acessórios industrializados, acessíveis à classe média. Eis a proposta: você não pode gastar uma fortuna para o terno ou o vestido de uma marca de luxo, mas, por um preço compatível com seus recursos, pode comprar um perfume, um cinto, uma carteira ou uma bolsa da mesma marca.

Ora, para que você deseje esse fragmento de luxo, é necessário que a marca prometa o acesso a um outro mundo, encantado: um devaneio de prazer e poder. Como?

Por exemplo, as marcas concentram seus comércios em ruas ou shoppings especializados (como o Cidade Jardim, que acaba de abrir em São Paulo), que são universos oníricos, separados das cidades reais nas quais vivemos e iguais entre si, de São Paulo a Milão. Ou ainda as marcas financiam revistas que são a imprensa dessa Disneylândia global: mulheres e homens bonitos, palácios, jatinhos e, ao lado desse catálogo do inalcançável, os acessíveis acessórios, que são chamados bens de entrada ou de ingresso.

Falando em ingresso, a modesta compra de um acessório vale mesmo como a aquisição de uma entrada de cinema, com a diferença de que, neste caso, você terá na mão um pedacinho do cenário, alimentando assim sua ilusão de fazer parte da história. Conseqüência: não é raro que alguém passe as férias hospedando-se em espeluncas ou sendo enlatado pelas companhias aéreas, mas volte triunfante com um novo acessório cujo valor teria sido suficiente para que ele vivesse férias verdadeiramente prazerosas.

Em suma, a indústria do luxo se parece, hoje, com o comércio de lembrancinhas na porta dos santuários: a posse da “relíquia” produziria a santidade do peregrino. Eu cismava nesse estado de espí- rito quando, logo numa revista de luxo, “THI” (fevereiro/maio 2008), entre iates e relógios, esbarrei nu- ma entrevista concedida por Gillo Dorfles.

Dorfles, designer, pintor e professor de estética, é o autor de um grande livro, “O Devir das Artes” (Martins Fontes), que li no começo dos anos 1960 e foi minha porta de entrada na arte contemporânea. Ele tem hoje 98 anos, mas não é nada rabugento. Cito a entrevista: “O design é, sem dúvida, uma das bases de nossa vida relacional. Com o declínio do artesanato, o objeto produzido industrialmente se tornou objeto de uso cotidiano. Do talher ao carro, dos sapatos aos esquis, do móvel ao computador, trata-se sempre de objetos produzidos em série. O design leva em conta o aspecto funcional, mas sempre com um quociente estético. Houve um aumento da esteticização da vida cotidiana pelo design, (…), enquanto em épocas anteriores, o objeto de uso era uma coisa amorfa, sem caraterísticas estéticas… A população é educada artisticamente pelo design, pela arquitetura, pela moda, muito mais do que pela escultura ou pela pintura de vanguarda”.

Para Dorfles, o cuidado com a dimensão estética do mundo melhora nossa relação com as coisas, com os outros e com nós mesmos.

É fácil aplicar essa consideração, por exemplo, à obra de Yves Saint Laurent, que morreu nestes dias: sua industrialização do luxo (da alta costura ao prêt-à-porter) espalhou uma nova estética feminina que certamente contribuiu a transformar o lugar das mulheres no mundo.

Outro exemplo: quando escolho um espremedor de laranjas, meu cuidado com a forma e as cores (e não apenas com a funcionalidade) humaniza minha relação com quem, a cada manhã, espreme minha laranja.

Concluo com Dorfles. Os fragmentos de ilusão vendidos pela indústria do luxo satisfazem a incerteza narcisista de emergentes inseguros, que, não podendo comprar seu lote no “paraíso”, ostentam a bugiganga promocional do empreendimento. Mas talvez, na popularização dos apetrechos do luxo, também se expresse o desejo de um mundo em que a elegância seria uma maneira gentil e mais humana de ser. Tomara que Dorfles tenha razão.

ccalligari@uol.com.br

Por fora filó filó, por dentro, olha só:

domingo, 25 mai

 Essas são algumas das estampas que usamos nos forros das Goa 9118, não são uma graça?

Forro estampa vintage - Goa + 9118 (cor preto)

Forro estampa pinguim - Goa + 9118 (cor vermelho)


MUTO : animação nos muros de Buenos Aires

segunda-feira, 19 mai

Cada vez mais me encanto com a forma como artistas, designers, arquitetos e outros profissionais não mais se limitam apenas às suas áreas de atuação, trabalhando na busca por produtos híbridos, que transitam entre a galeria, a cidade ou até a indústria, sem ser somente produto, obra de arte ou espaço construído. Nessa animação “construída” em Buenos Aires e Baden pelo artista Blu, algumas paredes e muros da cidade serviram de suporte para uma animação que foi publicada na semana passada no You Tube ,e em pouco tempo,  já foi vista por mais  de 1.100.000 pessoas.


MUTO a wall-painted animation by BLU from blu on Vimeo.

Na animação o artista não só explora os muros de Buenos Aires, mas também faz uso das calçadas, becos e portões brincando com planos e até com a sombra que marca o tempo durante a execução dos quadros! A edição (Mercurio Film) e a música (Andrea Martignoni) finalizam a obra do artista de forma incrível, dando a impressão de que seus desenhos realmente brotam dos muros, proliferando pelos becos da cidade! Sem palavras.

Vale a pena assistir mais de uma vez para perceber os detalhes do processo de construção, a passagem do tempo e outras viagens! É de pirar mesmo…

Parede sendo preparada  pelo artista para outro projeto em Livorno, Itália.

Fonte: http://www.blublu.org/blog/

Obra finalizada em Livorno, Itália.

Fonte: http://www.blublu.org/blog/